Eu só queria substituir um app ruim.
Não existia uma grande visão de produto.
Também não existia um plano para construir um hub de automação residencial.
O problema era bem mais simples: eu tinha uma câmera IP em casa e não gostava da experiência do aplicativo que precisava usar para acessá-la.
Ele demorava para abrir, travava com frequência e, em alguns momentos, a situação chegava ao ponto de eu precisar reiniciar a própria câmera para conseguir acompanhar o vídeo novamente.
A câmera funcionava.
O problema era tudo que existia entre ela e eu.
Foi daí que nasceu o NX Home.
O primeiro problema era pequeno
A primeira versão tinha um objetivo bastante específico: permitir que eu acompanhasse a câmera diretamente pelo navegador.
Nada além disso.
O streaming continuaria acontecendo dentro da minha própria rede, mas eu não dependeria mais de um aplicativo que estava constantemente no caminho.
Parece uma mudança pequena.
Mas ela resolveu exatamente o problema que me incomodava.
Hoje consigo acompanhar a câmera pelo computador ou celular, diretamente pelo navegador, com o stream acontecendo praticamente em tempo real e sem a instabilidade que eu tinha anteriormente.
A câmera se comunica com o NX Home através do go2rtc e toda essa estrutura continua rodando localmente.
O mais difícil, curiosamente, não foi acessar a câmera.
Foi fazer isso funcionar bem na web.
Navegadores possuem restrições que simplesmente não aparecem da mesma forma quando estamos trabalhando dentro de um aplicativo específico do fabricante.
Fazer o streaming chegar à interface sem ser bloqueado pelo navegador acabou sendo uma das partes mais trabalhosas de todo o projeto.
Mas, depois que isso começou a funcionar, aconteceu algo mais interessante.
O "problema" mudou.
A câmera não era a única coisa fragmentada
Enquanto o NX Home amadurecia, comecei a perceber que a situação da câmera fazia parte de um problema maior.
Minha casa já tinha vários dispositivos inteligentes.
Luzes.
Ar-condicionado.
TVs.
Luminária.
Dispositivos Echo.
Cada um deles funcionava.
Mas cada um também tentava trazer seu próprio aplicativo, sua própria interface e sua própria maneira de controlar algo que, no fim, fazia parte da mesma casa.
Era uma casa conectada.
Mas a experiência continuava fragmentada.
Eu tinha resolvido isso para a câmera.
Então comecei a questionar por que não fazer o mesmo com o restante.
Foi nesse momento que o NX Home deixou de ser apenas uma interface de monitoramento e começou a virar um hub.
Hoje, os dispositivos se comunicam através do Home Assistant.
O NX Home se tornou a camada que eu realmente utilizo para interagir com esse ambiente.
A diferença parece apenas arquitetural, mas existe uma mudança de produto importante aqui.
Eu não queria construir uma nova lâmpada inteligente.
Também não queria substituir o protocolo de comunicação de uma TV ou reinventar o ecossistema de automação residencial.
Essas partes já existiam.
O que eu queria controlar era a experiência.
Integração não é a mesma coisa que centralização
Existe uma diferença importante entre possuir vários dispositivos conectados e possuir um sistema conectado.
Quando cada dispositivo exige uma experiência diferente, a inteligência fica espalhada.
Você precisa lembrar onde controla determinada coisa.
Qual aplicativo usar.
Qual fabricante é responsável por determinado equipamento.
Qual interface possui determinada configuração.
Tecnicamente, tudo está conectado.
Na prática, você continua atuando como integrador manual da própria casa.
O Home Assistant resolveu uma parte importante desse problema para mim ao fornecer a camada de integração.
O NX Home passou a resolver outra: como eu quero enxergar e utilizar tudo isso.
Essa distinção foi importante durante a construção.
Nem todo problema precisa ser resolvido criando uma nova infraestrutura.
Às vezes, a melhor decisão de arquitetura é justamente utilizar uma camada existente e concentrar seu esforço naquilo que diferencia seu produto.
No meu caso, o Home Assistant cuida da comunicação com boa parte dos dispositivos.
O go2rtc resolve a camada relacionada ao streaming.
E o NX Home começa a assumir a responsabilidade pelo contexto.
Depois dos dispositivos, veio a pessoa
Em algum momento surgiu outra ideia.
Health.
À primeira vista, saúde parece uma coisa completamente diferente de automação residencial.
E provavelmente seria se o NX Home ainda fosse apenas um painel para controlar dispositivos.
Mas ele já não era mais isso.
Eu comecei a enxergar a casa menos como um conjunto de equipamentos e mais como o ambiente no qual uma parte relevante da minha rotina acontece.
Foi aí que Health começou a fazer sentido.
Hoje o módulo já existe e permite acompanhamento manual.
A ideia é evoluí-lo para integrar dados de dispositivos como smartwatches e serviços de saúde do iPhone.
Treinos.
Rotina.
Métricas.
Informações que, isoladamente, normalmente terminariam novamente espalhadas em outras aplicações.
Existe uma linha curiosa nessa evolução.
Primeiro, eu queria enxergar uma câmera.
Depois, controlar os dispositivos.
Depois, entender melhor a casa.
E agora o sistema começa também a olhar para a pessoa que vive nela.
Câmera.
Dispositivos.
Casa.
Pessoa.
O escopo aumentou, mas não porque fui simplesmente adicionando features.
Ele aumentou porque a definição do problema foi ficando maior.
Tudo continua local
Existe outra decisão que foi ficando mais importante conforme o projeto cresceu: manter o sistema rodando localmente.
Hoje, toda a estrutura principal do NX Home funciona dentro da minha própria infraestrutura.
Isso faz sentido principalmente quando estamos falando de algo que começa a concentrar câmeras, dispositivos da residência, hábitos e, futuramente, dados relacionados à saúde.
Quanto mais contexto o sistema entende, mais importante se torna pensar sobre onde esse contexto existe.
Não é apenas uma decisão de performance.
Também é uma decisão sobre dependência e controle.
Uma luz não deveria deixar de funcionar porque um serviço externo está indisponível.
A câmera não precisa enviar seu stream para algum lugar fora da rede apenas para que eu consiga assisti-la dentro da minha própria casa.
E dados extremamente pessoais não precisam necessariamente começar sua jornada em um servidor externo.
Manter tudo local traz outras responsabilidades.
Você precisa cuidar da infraestrutura.
Precisa pensar na disponibilidade.
Integrações podem ser mais trabalhosas.
O ambiente deixa de ser completamente abstraído por algum fornecedor.
Existe um custo.
Mas, nesse projeto, é um custo coerente com aquilo que estou tentando construir.
O próximo passo não é colocar IA em tudo
Existe uma camada que ainda não está implementada no NX Home: IA.
E talvez justamente por isso eu esteja conseguindo pensar melhor sobre onde ela deveria entrar.
A ideia futura não é simplesmente adicionar um chatbot ao dashboard.
Isso seria a parte fácil.
O interessante seria transformar o contexto que o sistema já conhece em algo útil.
Se o NX Home entende a casa, os dispositivos, determinados padrões de utilização e, no futuro, parte da minha rotina e dos meus dados de saúde, existe espaço para um assistente que realmente ajude a interpretar esse ambiente.
Não apenas responder perguntas.
Mas perceber padrões.
Entender rotina.
Sugerir ajustes.
Adaptar comportamentos.
Aprender.
Isso pode envolver modelos de linguagem, aprendizado de máquina e outras estratégias.
Mas a tecnologia vem depois.
Antes dela existe uma pergunta mais importante:
qual decisão o sistema poderá tomar melhor por entender meu contexto?
Essa é a parte que me interessa.
Porque inteligência sem contexto é apenas uma nova interface.
Construir para você muda a forma como você descobre o produto
O NX Home ainda está evoluindo.
Provavelmente continuará mudando.
Mas existe algo interessante no caminho que ele percorreu até agora.
Eu não comecei tentando prever o produto final.
Comecei resolvendo uma fricção que existia dentro da minha própria rotina.
Depois de resolver uma parte, outra ficou evidente.
E outra.
A câmera mostrou o problema dos aplicativos.
Os aplicativos mostraram o problema da fragmentação.
A automação mostrou que a casa poderia ser tratada como um sistema.
E o sistema começou a revelar que a pessoa também fazia parte desse contexto.
Talvez essa seja uma das partes mais interessantes de construir ferramentas para nós mesmos.
Você não precisa imaginar todos os problemas.
Você vive dentro deles.
E, quando continua observando depois de resolver a primeira dor, às vezes percebe que aquilo que parecia ser o produto era apenas a primeira camada dele.
O NX Home começou como uma forma melhor de abrir uma câmera.
Hoje, eu já não penso muito nele como um app para dispositivos.
Penso como uma camada entre minha casa, minha rotina e a forma como quero interagir com as duas.
A câmera continua ali.
Só deixou de ser o produto inteiro.
Virou o começo da história.
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